sábado, 22 de fevereiro de 2020

"A Verdade vos fará livre - Análise do samba enredo da mangueira 2020


A VERDADE VOS FARÁ LIVRES
            Grêmio Recreativo Escola de Samba ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA (ou simplesmente Mangueira) é uma tradicional escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro. Neste ano de 2020, ela levará para a avenida um samba-enredo belíssimo, porém polêmico, pois versa sobre Jesus Cristo, que abalou estruturas e despertou a ira dos intolerantes e poderosos do seu tempo.
            Muitos anos se passaram. Cristo foi morto e ressuscitou, mas alguns ainda não entenderam a sua mensagem, como ironiza o “Cristo” que foi personificado no Eu lírico da letra do samba-enredo, ao perguntar: “Mas será que todo povo entendeu o meu recado?”
            Para começo de resenha, vale dizer que tanto a letra quanto a melodia do samba são impactantes e que o mesmo é uma mensagem ao mesmo tempo reveladora e profética. Escrito em primeira pessoa a mensagem soa “empoderada”, ganhando status de reza!
            Um vocativoSenhor, tende piedade” - dá inicio ao samba, num verso que faz intertextualidade com refrões de músicas do ato penitencial católico. Esta estrofe clama ao céu, reconhecendo a maldade humana, e no refrão vem a resposta misericordiosa do Cristo, que sempre condena o pecado, mas perdoa o pecador. Ele garante que está do lado da Mangueira e do samba, mesmo que a acusem de mil pecados (como está acontecendo nas redes sociais, pois muitos julgam sem conhecer e condenam por ignorância!)
“Senhor, tenha piedade
Olhai para a Terra
Veja quanta maldade... ”

             Ao contrário do que dizem, o samba não é nenhuma blasfêmia, ele está fundamentado em versículos bíblicos e na realidade nua e crua que presenciamos no cotidiano das favelas (mesmo que pela TV!). Assim, o refrão tem uma força inexplicável, capaz de comover e de nos fazer cantar, com um sentimento de pertença a esse Cristo que se fez um de nós, por amor. A única coisa que condeno no refrão é que ele peca contra a uniformidade do tratamento, usando você (tenha/veja) e vós (olhai), para a mesma pessoa. Mas como se trata de uma canção popular, o equívoco pode ser interpretado como marca de oralidade, o que, aliás, acontece muito nas “rezas” onde se misturam frequentemente, o tu e o vós ou até como licença poética para facilitar o canto.
           
“Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente ”

            Jesus sempre teve uma opção preferencial pelos pobres, pelos oprimidos e pelos pecadores. Ele nasceu pobre, sofreu perseguição e injustiça, por pregar a verdade. Ele não tinha preconceito! Em sua trajetória pela Terra, esteve com prostitutas, pescadores leprosos cobradores de impostos, etc. Ele veio para que todos tivessem vida digna, vida em abundância, segundo (João10, 10).
            Quanto ao Eu lírico dizer que tem “corpo de mulher” é uma forma de dizer que os dois sexos estão incluídos no grande propósito de Deus para a Humanidade. Uma metáfora, que se fundamenta na mensagem do Evangelho.  Está escrito no Gênesis que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, ou seja, criou toda a raça humana, pois os criou homem e mulher, iguais em dignidade e graça!
            Por outro lado, sempre aprendemos na catequese que devemos ver o Cristo no nosso próximo, para que possamos amá-lo como Cristo nos amou. Então, Cristo sofredor é o moleque que vive no Buraco Quente, um dos núcleos populacionais que formam o complexo do Morro de Mangueira, Jesus tem sangue índio, tem rosto negro, é o Jesus da gente. Que belo!...Pra mim, esse samba-enredo soa como uma liturgia!
“Nasci de peito aberto, de punho cerrado
 Meu pai carpinteiro desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão...”
            Todos precisam saber que o Cristo vivo não quer a opressão, seu mandamento é o amor sem fronteiras! Porém, muitos ainda não conhecem esse mandamento e, ao mesmo tempo que ostentam ser cristãos, erguendo bonitas estátuas do Cristo, ou rendendo-lhe homenagens em rezas e versos, “cravejam” seu corpo de balas, assassinando sem piedade, principalmente os negros e favelados, que o próprio Cristo diz ser ELE. E nesse contexto de injustiça e violência, a mensagem de Cristo se faz esperança para o povo.
            Ao alertar o povo sobre os “falsos profetas”, o Samba da Mangueira assume um tom profético e apresenta em sua letra traços da oralidade que identificam o grupo ao qual se dirige. O Eu lírico alerta/clama e diz ter fé em sua gente oprimida:
“Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem
messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão”
            O Eu lírico se dirige à favela e usa uma gíria “pega visão”, ou seja, “toma tenência”, “acorda”, o Salvador não virá de arma na mão. Nesse ponto percebe-se uma sutil alusão, levando em conta o duplo sentido da palavra messias, que pode significar tanto o Cristo como um “salvador da pátria”.
“Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi no cordão da liberdade”
            O desabafo contido nesse samba enredo ecoou no céu, diz o Eu Lírico. E eu digo que é realmente uma reza forte esse samba!. A mensagem vai além do significado das palavras. As alegorias, o desenrolar do enredo, a malemolência, o grito do puxador do samba extravasam um grito de denúncia, de protesto de e alerta.
            E isso faz o Cristo “ressurgir”, no cordão da liberdade, ao lado daqueles que buscam a verdade e não se compactuam nem conformam com a opressão/situação!
            Cristo é a Verdade. Seu mandamento é o AMOR. Percebe-se facilmente a intertextualidade do título do enredo da Mangueira com o versículo bíblico “... conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo8, 32). Então, quem tiver ouvidos para ouvir sem deturpar, ouça!  E “a verdade vos fará livre”, com certeza!




quarta-feira, 1 de maio de 2019

Comunicação e Silêncio


COMUNICAÇÃO E SILÊNCIO
            Maio é um mês de muitas comemorações importantes! As datas são pretextos para reflexões e ações acerca de determinado fato ou instituição. Assim, toda celebração traz em seu bojo uma essência que transcende a própria festa, ensejando buscar as razões/histórias que fizeram com que o acontecimento, pessoa ou coisa merecesse um dia especial para ser celebrado.
            Maio já começa com o Dia do Trabalho, data oportuna para refletirmos sobre as relações patrão/empregado, sobre a legislação trabalhista, sobre a reforma da previdência, sobre o desemprego, sobre o empreendedorismo e muito mais. Além disso, podemos ressaltar o quão o trabalho é importante para o indivíduo e para as famílias. Professores, que tal fazer uma exposição sobre profissões ou um pequeno teatro mostrando que toda profissão deve ser respeitada e valorizada?! Ações assim combatem o preconceito e ensinam o respeito, tão indispensável para o sucesso das relações humanas.

            Maio é mesmo um mês de grandes comemorações (Calendário de maio de 2019), com datas culturais, cívicas, profissionais, históricas e curiosas: Dia do Trabalho, Dia do Sol, Dia das Mães,Dia do Silêncio, Dia do Sertanejo, Dia do Pau-Brasil,Dia Nacional das Comunicações,Dia Mundial dos Meios de Comunicação, sem contar que maio é mês das noivas, mês de Maria (para os católicos), mês das flores e de mais um monte de coisas importantes!...

            Mas o que mais me encanta é que em maio celebra-se o Dia das Comunicações e, (paradoxalmente?), o Dia do Silêncio!... E foi sobre isso que me propus a escrever.
            Sabemos que Comunicação é algo vital. O ser humano precisa se comunicar, interagir com seus semelhantes, porque somos seres sociais e não se pode ser feliz sozinho. Vivemos na era da comunicação, sob o signo das mídias que fazem do mundo uma aldeia global. As distâncias encurtaram, o mundo ficou pequeno. Há muito barulho e somos bombardeados cotidianamente por várias informações. Namoros virtuais, amizades virtuais, negócios virtuais mudaram o perfil dos relacionamentos no século XXI...
            Salve a comunicação! – Frase esta que pode se tornar ambígua no contexto atual, onde podemos entendê-la como aplausoaos avanços tecnológicos que agregaram rapidez, sofisticação e precisão aos processos de comunicação, mas também podemos usá-la para pedir socorro (salve! – do verbo salvar) para essa ação que vem perdendo a sua essência!...
            Por outro lado, o Dia do Silêncio vem nos lembrar de que não só o barulho comunica. O silêncio consciente é um exercício precioso, capaz de nos levar ao autoconhecimento, ou seja, à comunicação com o nosso interior, onde reside a nossa verdade, a nossa essência, o amor do qual nascemos e para o qual existimos.
            Vejo como os nossos alunos falam alto e são barulhentos! Vêm perdendo, pouco a pouco, a capacidade de ouvir o outro e a si mesmos. Para ouvir com produtividade, precisamos nos silenciar. Isso não significa apenas ficar calado ou na ausência de barulho externo. É preciso focar, relaxar, abrir-se para o outro, sem preconceito, sem resistência. É preciso saborear o que o outro diz, para, então, emitir o seu parecer; com calma, com propriedade, com respeito.
            Saber ouvir é um ato de coragem e de humildade ao mesmo tempo. Coragem para absorver a verdade do outro, e humildade para reconhecer que não há uma verdade absoluta, além do Amor.
            Parafraseando Rubem Alves, digo que temos várias ofertas de cursos de oratória (todos querem e valorizam o bem falar!). Mas e os cursos de escutatória? Nunca vi nenhum anúncio sobre eles! Será que saber ouvir não é tão ou mais importante do que saber falar?...
            O diálogo e a mediação só são possíveis se soubermos ouvir o outro. Quantos conflitos seriam evitados se soubéssemos ouvir com sabedoria! O mestre Rubens Alves já dizia que a beleza mora no outro também. Linda e sábia esta frase dele:“Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto”.
            Colegas, professores, eis o meu apelo de educadora apaixonada pela vida: ensinem seus alunos a ouvir, a valorizar o silêncio, a escutar sua voz interior!...Há muito barulho e muita desunião neste mundo. Precisamos de silêncio, precisamos de comunhão.  A superficialidade está querendo dominar nossos pequenos e precisamos interferir.

            Gosto de ler artigos que falem sobre o silêncio; também adoro silenciar-me para buscar respostas lúcidas para minhas inquietações existenciais. Ontem li um artigo sobre a importância do silêncio, que reforçou ainda mais essa minha postura, além de agregar mais uma razão para exercitá-lo e para fazer a apologia dele. Imaginem que o silêncio torna-nos mais inteligentes, criativos e seguros e que é indispensável na regeneração de nosso cérebro, além de nos acalmar, é claro!...

            E já que esse artigo fala sobre comunicação e silêncio, eu ouso deixar uma dica muito importante para os professores/educadores: apliquem a PNL (Programação Neurolinguística) na educação. Esse método é um excelente modelo de comunicação, onde o professor adquire um poder de influência e persuasão muito maior, quebrando resistências e ressignificando os erros de seus alunos. Isso cria laços de afeto e gratidão e dá novo sentido à relação professor/ aluno.
            Podemos presumir que a comunicação e o silêncio são duas estratégias essenciais no contexto educacional moderno, pois cada uma, à sua maneira, promove comunhão e são fatores determinantes para o autoconhecimento, para o desenvolvimento da empatia, bem como para a saúde do cérebro, que resultam em aprendizagem, crescimento e qualidade de vida.

(Bernadete Valadares)







terça-feira, 5 de junho de 2018


Apoie esse Sonho de pura poesia!...

 
Livro de estreia de Bernadete Valadares; contém 35 poemas com os mais variados temas que se unificam ao revelar a trajetória de uma vida: infância, sonhos, emoções, fé, coragem, reflexão e, sobretudo, esperança num mundo melhor!...
Cada poema é um “retalho” que compõe a trama da vida, qual colcha artesanal, feita de muitos e variados pedaços. Dessa forma, embora diversos, os poemas têm um fio condutor que os amarra com um laço de pura ternura!...
A autora brinca com as palavras com muita simplicidade e maestria, demonstrando intimidade com elas, de forma lúdica, porém lúcida.
Vozes do Meu Silêncio é a opção para uma viagem onírica, cuja leitura nos faz remexer em nossas memórias e reviver, com ternura e emoção, fatos marcantes de nossa história.

Clique para participar do meu Sonho!!!


https://www.kickante.com.br/campanhas/sonho-se-fez-livro




sábado, 7 de abril de 2018

LITERARTE - 2017








































































































Adicionar legenda



















































































































































































































Foi tudo muito lindo! Valeu muito a pena!...